Diferentemente daquela, a lambança é o registro de fato ruim e inútil que ocorreu e que é considerado uma ululante perda de tempo. Só chegamos a tal conclusão após vivenciá-los e simplesmente constatar que ter feito algo ou vivido certa experiência não teve valia (ou a devida valia). Ninguém sabe que é até ser. Por que não teve o valor esperado? Porque sua energia e seu tempo foram desperdiçados com alguma coisa que não pode ser (re)aproveitada e esta pessoa tem a firme convicção de que poderia ter realizado algo palpável, útil, durante o intervalo temporal dedicado. É extremamente difícil, talvez inevitável, não ter uma lambança na memória, porque são muitas experiências de vida, tantas opções e muitas vezes cada escolha feita importa numa renúncia.
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| (André Dahmer, 2011) |
Ela, a lambança, gera uma melancolia ou arrependimento profundo por não ter feito coisa diversa, concreta ou com potencial. Assim, também se relaciona, mas indiretamente, com o futuro do pretérito. A pessoa teria feito diferente, ou sequer teria feito, se possível fosse. Mas nunca é, exceto se estivermos falando de Marty McFly e do Dr. Emmett Brown.
O curioso é que um mesmo fato pode ser lembrança para um e lambança, para o outro. As pessoas podem reagir de forma diferente ao mesmo fato ou ele pode ter nuances outras e incidir diversamente nas pessoas. Um exemplo razoável: numa festa, conhecer uma pessoa bacana, "ficar" e uma das duas querer algo efêmero enquanto a outra tem perspectivas românticas. Para aquela, o fato "conhecer e ficar" será uma lembrança, já que passou momentos agradáveis com uma pessoa legal e só queria isto. Será, contudo, uma lambança para quem esperava algo mais e se sentiu, de certa forma, usado.
Já que, segundo Fernando Pessoa, tudo vale a pena se a alma não for pequena, a única experiência positiva que pode ser retirada desta recordação negativa é não repetir o erro e procurar aproveitar melhor a energia vital e o tempo com reservas e obstinação. Como? Quem souber, por obséquio, nos conte. Já que é praticamente inevitável, ao menos que a lambança seja diferente. Cometer o mesmo erro é burrice, diz a sabedoria popular. A voz do povo é a voz de Deus.

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